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Vagas que escaparam do corte

Dois terços dos cargos que sobreviveram ao pacote do governo são para o nível superior

Flávia Rodrigues

Dois terços das vagas que escaparam do pacote de cortes do governo federal deste início de ano são para o nível superior. Dos 40.032 postos de trabalho previstos no Orçamento da União para 2008, apenas 21,9% deverão ser, efetivamente, disputados - os outros estão suspensos, por conta do fim da CPMF. Efetivamente, 8.779 novas vagas estão garantidas - o governo fala em 11.179 vagas, mas a diferença (2.400) refere-se a concursos com editais lançados no fim do ano passado.

Dessas novas vagas, 5.873 serão para cargos que exigem formação superior e 2.906, para os que pedem nível médio. Essa valorização das carreiras de nível superior na administração federal é uma tendência que deverá se acentuar ao longo dos próximos anos, segundo informa a assessoria do Ministério do Planejamento.

"Nós precisamos de gente qualificada e pagamos bem"

A idéia é profissionalizar o Estado: a Secretaria de Recursos Humanos do ministério vem, por exemplo, conversando com a Polícia Rodoviária Federal, para que os próximos concursos para policial exijam nível superior. Hoje em dia, o nível médio é a escolaridade pedida.

Além disso, a União vem se preocupando em contratar funcionários para ocupar cargos em atividades-fim, reduzindo o número de terceirizados, como determina decisão judicial.

Outro exemplo da preferência por cargos de formação superior vem do Inmetro. O coordenador de RH da empresa pública de metrologia, Paulo Rodrigues, conta que esforços neste sentido começaram a ser feitos em 2007 e se manterão até o fim de 2009. No último processo seletivo, o Inmetro ofereceu salários de até R$11.392,07. O concurso de 2008, aliás, é um dos poucos que escaparam do corte do governo federal. A perspectiva, agora, é que sejam abertas 208 vagas para nível superior. Em 2009, deverá haver disputa para outras 263 vagas - todas para pessoal com nível universitário.

- Em 2001, não chegamos a ter mil inscritos no concurso. No ano passado, foram 15 mil. Precisamos de gente qualificada e, por isso, pagamos bem. É como no futebol: não queremos só ficar olhando nossos craques jogando no exterior. Queremos trazê-los para os nossos times.

A exemplo dos municípios, União apressará concursos

O Ministério do Planejamento informa, ainda, que a maior parte dos concursos autorizados deverá acontecer ainda neste semestre. Isso por causa da legislação eleitoral. É que, embora as eleições sejam para vereadores e prefeitos - o que determina que resultados de concursos municipais sejam homologados até 5 de julho -, o ministério entende que o termo "na circunscrição do pleito", contido na resolução 22.579 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o assunto, diz respeito, também, a cargos federais lotados nos municípios (nem toda a administração federal está em Brasília).

A idéia é não dar margem a favorecimentos ou perseguições vinculadas à eleição de prefeitos ou vereadores. Já o governo do Estado do Rio considera que não tem de cumprir essa norma.

A exemplo da União, entretanto, a prefeitura do Rio tem pressa. Segundo o secretário de Administração, Wagner Siqueira, até agora, há 1.480 vagas previstas, para a secretaria de Saúde e a Multirio. Mas a meta é de 2.500. Todas serão disputadas, no máximo, até junho, promete.

OS CONCURSOS FEDERAIS QUE ESTÃO GARANTIDOS

INMETRO: O instituto está autorizado a criar, este ano, 208 vagas na área de metrologia e qualidade. Todas exigem formação de nível superior. A maioria delas (136) é para pesquisador de metrologia e qualidade. Outras 62 são para analista e dez, para especialista.

ANP: A Agência Nacional do Petróleo poderá contratar 158 funcionários. Todos também para cargos que pedem formação superior.

Abin: Para a Agência Brasileira de Inteligência, serão 190 vagas: 160 para analista de informações (nível superior) e 30 para assistentes (médio).

CAPES: Foi autorizada a realização de concurso para 140 vagas na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior: 90 para analistas em ciência e tecnologia (formação superior) e 50 para assistentes (nível médio).

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO: O ministério poderá contratar 7.543 novos funcionários. Serão 2.543 vagas para professor de Terceiro Grau e 2.272 para técnico-administrativo E (nos dois casos, é preciso ter formação superior). Para técnico-administrativo C e D (nível médio), 2.728 vagas.

MINISTÉRIO DO ESPORTE: Autorizadas 94 vagas, a maioria para quem tem formação de nível superior: técnicos em geral (38), de comunicação social (3) e de assuntos educacionais (4), administrador de empresas (6), arquivista (2), assistente social (2), bibliotecário (1), contador (4), economista (2), engenheiro (2), estatístico (2), médico (2), psicólogo (2) e sociólogo (2). Haverá ainda 22 vagas para agente administrativo (neste caso, basta a formação em nível médio).


MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE: 83 vagas, todas para analista ambiental de nível superior.

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO: Serão 95 vagas, para especialista em políticas públicas e gestão governamental (60) e analista de planejamento (35). Para os dois cargos, será exigida a formação em nível superior.

MINISTÉRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA: No geral, serão 268 vagas. A exigência de ter formação superior vale para os cargos de analista de ciência e tecnologia (132), pesquisador (32) e tecnologista (28). Nível médio: assistente em ciência e tecnologia (40) e técnico em ciência e tecnologia (36).

FONTE: O Globo


Publicado em: 20/01/2008

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