Acesso à Informação www.brasil.gov.br

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Acessibilidade

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Diminuir o tamanho da fonte
  • Contraste na fonte
  • Fonte Padrão
ABIN > Artigos

O mapa-múndi das doenças

Estudo mostra áreas onde novas epidemias podem surgir. Brasil está entre elas

O Brasil é uma das principais áreas de risco para o surgimento de doenças emergentes por reunir características que predispõem o aparecimento de novos patógenos, como alta biodiversidade, densidade populacional e desmatamento - o que favorece o contato de micróbios antes restritos à floresta com o homem. O alerta está no primeiro mapeamento já feito sobre as regiões de risco para novas infecções, organizado por um grupo internacional de cientistas e publicado na "Nature". Baseados em dados de 335 doenças surgidas entre 1940 e 2004, os especialistas afirmam que a América do Sul é um dos locais mais ameaçados.

- Graças a esse mapa, depois de muitos anos de debate, a comunidade científica poderá, enfim, ter uma valiosa ferramenta para a prevenção de novas pandemias - garante Rita Teutonico, uma das participantes do estudo. - Com ele, saberemos também onde investir melhor os nossos recursos.

Países pobres são os mais ameaçados

De acordo com o estudo, a maior parte das doenças emergentes deve vir dos países em desenvolvimento, onde a abundante vida animal vem colidindo com uma população cada vez maior. Cerca de 60% das infecções que surgiram desde 1940 vieram dessas áreas, muitas vezes originando-se em animais para depois atingir o homem. O vírus HIV teve sua origem nos chimpanzés. O Ebola, nos morcegos.

- Concluímos que a maior parte dos recursos globais para conter as doenças emergentes estão mal localizados. A vigilância científica está focada em áreas onde dificilmente um novo tipo de doença vai surgir - diz o estudo.

Com a ajuda de computadores, os cientistas analisaram dados das 335 doenças e marcaram as áreas onde futuras epidemias têm mais chances de ocorrer. Essas áreas incluem partes da América do Sul e Central, a África tropical e o sul da Ásia. A maior parte dos esforços de prevenção, porém, está localizada na Europa, América do Norte, Austrália e parte da Ásia.

- Monitorar áreas onde há uma rica diversidade de vida animal pode ser a chave para prevenir o surgimento de novas epidemias - diz Kate Jones, pesquisadora da Sociedade Zoológica de Londres, que participou do estudo.

A pesquisa definiu doenças emergentes como infecções novas, desconhecidas da população. Elas podem ser causadas por vírus ou bactérias nunca antes descritos ou pela mutação de um vírus já existente. Também é possível que sejam causadas por um agente que só atingia animais, e que passou a afetar também seres humanos. O saldo de algumas dessas doenças pode ser devastador.

A Aids já matou mais de 25 milhões de pessoas. Já o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que surgiu repentinamente na China em 2002, matando mais de 800 pessoas em todo o mundo, gerou prejuízos de mais de US$100 bilhões. O estudo mostrou também que a década de 80 foi a que apresentou o maior número de doenças recentemente. Acredita-se que isso tenha ocorrido por causa do HIV, que deixou as pessoas vulneráveis a outras enfermidades.

- Nossas prioridades devem incluir uma observação atenta e minuciosa nas áreas destacadas pelo estudo - explicou Peter Daszak, diretor do Wildlife Trust e um dos participantes do estudo.

FONTE: O Globo


Publicado em: 21/02/2008

Imprimir Imprimir